Ernesto Cedovim

Biografia do ernesto cedovim

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Escrever a Biografia de Ernesto Cedovim não é relatar, com mais ou menos detalhes, alguns factos pessoais e profissionais da trajectória de vida de um artista. É, para mim, falar de um Amigo, repescando de muitas horas de conversa ao longo dos anos, em Paris , em Lisboa, os dados que devem constar numa Biografia. Indisfarçável Português do Norte, o Ernesto nasceu em Vale de Vila, pequena povoação do concelho de S.João da Pesqueira, em pleno Alto Douro. Enquanto fazia a Escola Primária, se não havia tempo para grandes brincadeiras porque era preciso ajudar os pais no duro trabalho da agricultura, era já a música que o fazia sonhar enquanto escutava as melodias populares tocadas na Harmónica pelos mais velhos da aldeia. Rápidamente passou a fazer parte do Grupo Coral da Escola, mas era o som da harmónica que o maravilhava. O Pai, sem meias palavras, negou-lhe o pedido : “ a música não é um bom futuro para ti “. Mas o Ernesto nunca foi rapaz de desistir fácilmente…Fosse como fosse, havia de conseguir ter uma harmónica ! E teve. Trabalhando no campo e – diga-se a verdade … – desviando sorrateiramente uns quilitos de amêndoas da colheita dos pais, lá conseguiu chegar à Feira da Senhora do Monte e ganhar o dinheiro necessário para a bendita harmónica ! Muitas músicas populares e todos os êxitos da Rádio tocados na inseparável harmónica o foram acompanhando, até que chegou a altura de seguir os estudos, partindo para a cidade grande mais próxima, Lamego. Aí surgiu uma nova paixão : o acordeão. Mas se o Pai nem da pequena harmónica quis ouvir falar, quanto mais do acordeão ! Compra adiada, portanto, até que a vida mudou completamente de rumo num instante. Portugal vivia então sob a ditadura salazarista, tempos dificeis em que qualquer voz que se levantasse em protesto era prontamente denunciada pelos informadores da temida polícia política do regima, a PIDE. Na aldeia, vendo um destes “bufos” a tratar mal o Pai, o Ernesto, sangue quente de jovem estudante que quer mudar o futuro, não deixou passar a coisa e calou o personagem… a murro. Partiu nessa mesma noite, passando clandestino as fronteiras até chegar a França. Tinha 15 anos. Paris era um mundo novo que se abria, simultâneamente fascinante e assustador. Mesmo sem documentos, houve alguém que lhe deu trabalho e a harmónica tocada no Metro ia ajudando a completar o magro salário. Um ano mais tarde, já legal e com um salário melhorado o meu amigo Ernesto começava a sonhar outra vez com o acordeão, quando recebeu a companhia do Pai, também ele buscando melhorar as duras condições de vida em Portugal. Pai e filho passaram a juntar os salários e o dinheiro planeado para a compra do acordeão – já apalavrada a uma família italiana por 550 francos, uma soma considerável em 1970 – passou a seguir inteirinho para ajudar a família… Finalmente, ajudado por uma estratégia bem montada e pela distracção do Pai, lá conseguiu desviar do seu salário o dinheiro para o acordeão, o que levou a uma enorme zanga do Pai, que durante dois meses não lhe dirigiu palavra ! A zanga passou, o acordeão continuou e rápidamente o nome Ernesto Cedovim passou a ser bem conhecido no circuito das festas dos emigrantes portugueses em França. Foram centenas de bailes populares, várias bandas, como o “Abril em Portugal”, “Grupo Lisboa”, “Grupo Musical México”, até chegar aos “Top 7 System”, com a quem começou verdadeiramente uma carreira artistica. Foram muitas as colaborações com artistas portugueses, como Florencia, Max, Luís Cília, Tony Gama , franceses como C.Jerome, trabalhos de estúdio para Michel Stelio, Chabin, Fernand Boudou, Michel Taitager, Pierre Dacherie. Em 1977 Ernesto Cedovim grava o seu primeiro registo musical, um single sintomáticamente intitulado “A Minha Vida Começou”. Seguem-se “Sou Passageiro no Teu Caminho” (1985), “Telefonema para Cristina” (1986), “Mana Olho por Ti” (1987), “Alo Amor” (1988), “Momentos a Dois” (1989), “Como a Portuguesa na Há” (1995), “O Meu Pinheiro Manso” (2000), “Existencia na Voz da Distancia” (2005), “Só Exitos” (2006) e “Disco das Festas” (2007). Em todos estes registo – e seguramente em todos os que virão – Ernesto Cedovim , escrevendo, compondo e cantando defendeu a sua raíz popular, o seu País, os seus valores morais e humanos, partilhou os bons e maus momentos que a Vida lhe tem trazido. Com verdade, sem nunca trair o seu amor de sempre : a Música. Afinal, a Biografia de Ernesto Cedovim podia resumir-se em duas palavras : Honestidade e Amizade. Um abraço, companheiro !

Para Espectáculos  contacte a  Rádio M

Telemóvel : 914833783

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